Quando o Céu Cai, a Fé Se Levanta
(Em memória do padre missionário e da menina que se fez estrela).
Na tarde de 23 de agosto de 1965, a capela de São José vibrava com crianças em festa. O jovem padre celebrava cinco anos de ordenação. A alegria ecoava nos bancos — resposta viva ao chamado do alto.
Mas o céu desabou. Ruíram paredes, promessas, risos. E uma menina de sete anos, com asas de inocência, partiu antes de aprender a correr. Fez morada no infinito, tornando-se estrela no firmamento da memória. O padre caiu. Mas não ficou no chão.
Foi ali, entre escombros e lágrimas, que nasceu o verdadeiro missionário. Com a cabeça ferida e o coração rasgado, tornou-se arquiteto de esperança e engenheiro da fé. Abandonou o futebol, os hábitos juvenis, e abraçou sua missão: reconstruir — por dentro.
Pe. Risso ergueu nova Igreja. Não com ouro, mas com oração, suor e coragem. Lançou os alicerces de uma comunidade viva, feita de gente que se levanta, se une, se transforma. Cada tijolo trazia uma lágrima. Cada prece, redimia o que jamais seria esquecido.
Hoje, 60 anos depois, esse episódio nos interpela, fala às nossas próprias ruínas. — deixadas pelo tempo, pela dor ou pelo esquecimento — e nos convida a permitir que Deus as transforme em novos começos. Ao acolher esse chamado à (re)construção interior, o legado de Pe. Risso se firma como monumento de fé.
Que São José, mestre do silêncio e da reconstrução, nos faça artesãos da fé que renova, fortalece e embeleza. E que a menina que virou estrela continue a brilhar — sinal eterno de que a inocência não se apaga. Apenas muda de lugar.
(Maurício Alusuras)
Confissões de um Missionário
Pe. Luís Risso, MSC
m uma tarde de 23 de agosto de 1965, enquanto celebrava a missa na antiga Igreja de São José no Fomento com a Igreja cheia de crianças, reunidas para festejar cinco anos de sacerdócio, desabou o telhado da capela de São José construída pelo senhor Edgar Barbosa Cordeiro.
Houve um morto (uma menina de 7 anos) e 200 pessoas feridas até o padre apanhou baques na cabeça os quais obrigaram a recordar aquele triste acontecimento por mais de um ano. A partir daquele dia o padre mudou o seu jeito de vida: deu adeus ao futebol e assumiu um novo rumo. Destruiu a velha igreja e trabalhando de noite usava o caminhão da Organização para limpar o terreno.
Depois começou a construção da nova Igreja de São José. E os recursos? Santo Inácio de Loyola, padroeiro de Pinheiro veio socorrer o padre. O santo dizia: “Reze como se tudo dependesse de Deus e trabalhe como se tudo dependesse de você.” O padre entendeu: Deus te ajuda, mas te viras sem deixar nenhuma ocasião de lado.